Plano afegão de Obama é ‘melhor que o esperado’, diz Karzai

Presidente do Afeganistão elogia nova estratégia americana para região; mais quatro mil soldados serão enviados

CABUL – O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse neste sábado, 28, que a nova estratégia americana para a região é “melhor que o esperado”. Karzai elogiou as medidas para melhorar a segurança dos civis e instituições, parte dos planos anunciados pelo chefe de Estado na sexta-feira. Para o líder afegão, a estratégia irá ajudar na luta contra o terrorismo e aumentar a estabilidade.
Na sexta, Obama anunciou o envio de mais quatro mil soldados ao país, além dos 17 mil que já seriam enviados para atuar em território afegão ainda em 2009. Os Estados Unidos já têm 38 mil soldados no país asiático. Além do reforço no contingente americano, o plano prevê uma intensificação no treinamento de militares e policiais do Afeganistão e do Paquistão para combater extremistas islâmicos.
Obama também anunciou mais investimentos em obras de infraestrutura – como hospitais e estradas – nos dois países, em áreas carentes que vêm sendo procuradas por militantes radicais para o recrutamento de jovens.
De acordo com o líder americano, a situação no Afeganistão é “cada vez mais perigosa” e objetivo final americano é o de derrotar a rede extremista Al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão e impedir o retorno da milícia Taleban, que controlou a maior parte do território afegão até a invasão do país por tropas comandadas pelos Estados Unidos, em 2001.
Segundo Obama, “a Al-Qaeda e seus aliados, os terroristas que planejaram e apoiaram os atentados de 11 de setembro estão no Paquistão e no Afeganistão”. A nova estratégia militar americana tem como um de seus objetivos coibir o crescente poder paralelo exercido pelo Taleban e pela Al-Qaeda na zona fronteiriça entre Paquistão e Afeganistão.
Trata-se de uma região de terreno montanhoso e dominada por grupos tribais, onde os governos dos dois países têm pouca influência. Os Estados Unidos temem que a região sirva de base para o lançamento de novos ataques contra os americanos e seus aliados.
AMEAÇA
Outro objetivo é tornar o Afeganistão mais estável para as eleições gerais afegãs, previstas para agosto deste ano. Nas palavras de Obama, “se o governo afegão cair novamente sob controle do Taleban, ou permitir que a Al-Qaeda não seja confrontada, aquele país novamente servirá como base para terroristas que querem matar quantas pessoas conseguirem.”
Como parte do plano, os Estados Unidos também esperam contrapartidas por parte de afegãos e paquistaneses. Obama disse que afegãos devem fazer mais para conter o avanço do cultivo de drogas no país e procurar coibir a corrupção no governo.
Do Paquistão, os americanos buscam uma intensificação da repressão ao Taleban, que, de acordo com analistas, contaria com simpatizantes dentro da administração do país. Segundo Obama, a Al-Qaeda representa para o Paquistão “um câncer que poderá corroer o país por dentro” e que já custou a vida de milhares de cidadãos paquistaneses, entre eles soldados, policiais e a ex-primeira-ministra, Benazir Bhutto.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Sábado, 28 de março de 2009, 08:31

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